dezembro 19, 2011

Sobre o despertar da inteligência criadora

Certamente, para se criar uma criança sadia, torná-la inteligente, ajudá-la a compreender, de modo que possa discernir todas essas tolices, vocês tem que compreender e expor-lhe  todos os males do tradicionalismo e da aceitação da autoridade. Isso significa que vocês precisam incentivar o descontentamento; enquanto, em geral, o que nos interessa é diminuir, é banir o descontentamento. É só no descontentamento que podemos ver a falsidade de todas essas coisas; mas, envelhecendo, começamos a cristalizar.

A maioria dos jovens é descontente, mas por desgraça o seu descontentamento é canalizado, padronizado: tornam-se mentores de classes, clérigos, bancários, gerentes de fábricas, e aí param. Obtêm um emprego e em pouco tempo seu descontentamento definha e morre. É muito difícil manter esse descontentamento desperto, vigilante; mas é o descontentamento, essa constante indagação, essa insatisfação com as coisas como estão — com o governo, com a influência dos pais, da esposa ou do marido, com tudo o que nos rodeia — que faz vir a inteligência criadora.

Mas não desejamos que nosso filho seja assim, porque é muito incômodo viver com alguém que está sempre duvidando dos valores tradicionais, sempre examinando-os. Achamos melhor cercar-nos de pessoas obesas, satisfeitas, preguiçosas.

São vocês, os adultos, os responsáveis pelo futuro... Mas o futuro não lhes interessa. Só Deus sabe o que lhes interessa, ou porque geram tantos filhos — pois não sabem educá-los. Se vocês os amassem de verdade, em vez de apenas destiná-los, a conservar a sua propriedade e o seu nome, haveriam, sem dúvida, de tratar esse problema de maneira nova. Vocês provavelmente teriam de fundar novas escolas; provavelmente teriam de ser vocês mesmos o instrutor. 

Mas, infelizmente, vocês não sentem muito interesse por qualquer coisa nova na vida, a não ser ganhar dinheiro, comer e satisfazer o sexo. Nessas coisas vocês são muito "integrados", mas não desejam fazer frente ou se aplicar às restantes complexidades e dificuldades da vida; e por isso, quando geram filhos e eles crescem, são tão imaturos, tão "desintegrados", tão pouco inteligentes como vocês mesmos, que vivem em constante batalha consigo mesmo e com o mundo.

Assim, são os mais velhos os responsáveis por esse espírito comunalista. Afinal, por que deve haver divisões entre um homem e outro? Vocês são muito semelhantes a qualquer outro. Podem ter um corpo diferente, o semblante de vocês pode ser diferente do meu, mas, interiormente, somos muito parecidos: orgulhosos, ambiciosos, coléricos, violentos, lascivos, ávidos de poder, de posição, de autoridade, etc. Se nos tirarem os rótulos, ficamos nus.

Mas, não queremos olhar de frente a nossa nudez ou nos transformar, e é por isso que adoramos os rótulos — o que indica extrema falta de maturidade, extrema infantilidade.

Com o mundo desabando estrondosamente bem perto de nossos ouvidos, estamos discutindo sobre se um indivíduo deve pertencer a esta ou àquela camada social hereditária, ou se pode colocar as vestes sagradas, ou que espécie de cerimônia deve executar — denotando tudo isso uma absoluta falta de pensamento, vocês não acham?

A vida exige ação extraordinária, criadora, revolucionária. Só no despertar dessa inteligência criadora há possibilidade de viver num mundo pacífico e feliz.

Krishnamurti - Paz no Coração

novembro 11, 2011

Tenho observado que quando a gente se observa julgando, tentando mudar a si mesmo, há uma separação, há conflitos, entre o fato interior, psicológico, o que é, e o que deveria ser.. áí que entra o censor. Mas quando a coisa observada é o observador, quando entendemos que o conteúdo da consciencia, não é separado da própria consciência, a gente entra em contato direto com o fato, fato psicológico, 'o que é', portanto cai em si, tende-se a se dissolver se for algo de 'negatividade', 'desordem, 'mal', pois não há conflito, e a tendência me parece é não se enredanr por referências passadas ou projetados no futuro, pois é como se caísse na mesma armadilha da dualidade interior e tivesse de refazer esse trabalho de investigação. Bem também faço esse  exercício não só ao lê-lo ou ouví-lo, mas principalmente no dia-a-dia. Desculpe minha participação, pois, apesar me interessar em ouvir comentários dos leitores de K., ainda acho melhor experiência pessoal de cada um ao lê-lo.

outubro 20, 2011

O RIO DO AMOR

Abrigo dos sábios: J. Krishnamurti
«Não sei, mas o amor incendeia-me. É uma chama inextinguível. Tenho tanto disso, que quero dá-lo a todos, e dou. É como um grande rio, que alimenta e rega cada vila e aldeia; ele vai sendo poluído, desagua nele a porcaria do ser humano, mas depressa as águas se purificam a si próprias, e rapidamente segue em frente. Nada pode estragar o amor, pois todas as coisas se dissolvem nele - o bom e o mau, o feio e o belo. O amor é algo que é a sua própria eternidade.»

J. Krishnamurti, em "Cartas a uma jovem amiga"
Powered by ScribeFire.

A ACEITAÇÃO DO AGORA

A ACEITAÇÃO DO AGORA

(A impermanência e os ciclos da vida)

O texto desta sexta trata do tema do buscar SER. Do aprender a viver e a morrer, buscando entender as nossas ilusões que consumem a nossa energia, a nossa vida.


Existem ciclos de sucesso, que é quando as coisas acontecem e dão certo.

E os ciclos de fracasso, que é quando elas não vão bem e se desintegram.

Se nos apegamos às situações, oferecemos uma resistência nesse estágio.

Significa que estamos nos recusando a acompanhar o fluxo da vida e que vamos sofrer.

É necessário que as coisas acabem, para que coisas novas aconteçam.

Um ciclo não pode existir sem o outro.

O ciclo descendente é absolutamente essencial para uma realização espiritual.
Ou talvez o seu sucesso tenha se tornado vazio e sem sentido e se transformado em fracasso.

Você tem de ter passado por alguma perda profunda ou por algum sofrimento, para ir à dimensão espiritual.

O fracasso está sempre embutido no sucesso, assim como o sucesso está sempre encoberto pelo fracasso.

No mundo da forma, todas as pessoas fracassam mais cedo ou mais tarde. E toda conquista acaba em derrota.

Todas as formas são impermanentes. Um ciclo pode durar de algumas horas a alguns anos, e dentro dele pode haver ciclos longos ou curtos.

Muitas doenças são provocadas pela luta contra os ciclos de baixa energia que são fundamentais para uma renovação.

Assim, a inteligência do organismo pode assumir o controle como uma medida auto-protetora e criar uma doença com o objetivo de nos forçar a parar, para que uma necessária renovação possa acontecer.

Isso torna difícil ou impossível para nós aceitarmos os ciclos de baixa energia e permitirmos que eles aconteçam.

Mas nada dura muito nessa dimensão, onde as traças e a ferrugem devoram tudo.
Tudo acaba ou se transforma.

A mesma condição que era boa no passado, de repente se torna ruim. A mesma condição que fez você feliz agora faz você infeliz.

A prosperidade de hoje se torna o consumismo vazio de amanhã.

O casamento feliz e a lua de mel se transformam no divórcio infeliz ou em uma convivência infeliz.

A mente não consegue aceitar quando uma situação a qual ela tenha de apegado muda ou desaparece. Ela vai resistir à mudança. É quase como se um membro estivesse sendo arrancado do seu corpo.

Isso significa que a felicidade e a infelicidade são, na verdade, uma coisa só.
Somente a ilusão do tempo as separa.

Não oferecer resistência à vida, é estar em estado de graça, de descanso e de luz. Nesse estado, nada depende de as coisas serem boas ou ruins.

Observe as plantas e os animais. Aprenda com eles a aceitar aquilo que é e a se entregar ao agora.

Deixe que eles lhe ensinem o que é ser.

Deixe que eles lhe ensinem o que é integridade, estar em unidade, ser você mesmo, ser verdadeiro.

Aprenda como viver e como morrer, e como não fazer do viver e do morrer um problema.

Do livro Praticando o Poder do Agora. De Eckhart Tolle.



Leia mais: http://www.cacef.info/news/a%20aceita%c3%a7%c3%a3o%20do%20agora/

outubro 16, 2011

(1) UCEM - Grupo Mera

(1) UCEM - Grupo Mera: A fé é a ferramenta chave para o despertar da Verdade.
Todo o tempo a felicidade esteve em ti e para ti, mas como não a reconheceu pensou que não existisse. Outras vezes caiu na armadilha insana do ego e se julgou não merecedor. Passou boa parte da vida negando a maior dádiva que lhe fora dada e como consequência disso tornou-se refém da tua própria loucura.
Para reverter este quadro de sofrimento basta crer que a felicidade é intrínseca a ti e compreender que ela não é algo rebuscado, complexo ou externo. A felicidade é a simplicidade do Ser. É apreciar o instante, a respiração, o pulsar do coração. É se perder no sorriso de uma criança, no abraço de um amigo ou em palavras de carinho.
Felicidade é ter fé no amor, reconhece-lo no teu íntimo e compartilha-lo sem nada exigir.

Namastê

setembro 25, 2011

agosto 24, 2011

Quando tudo se desfaz (Pema Chödrön)

Quando tudo se desfaz

Pema Chödrön

O pai de uma criança de dois anos conta que ligou a televisão e, inesperadamente, viu a destruição causada por uma bomba colocada em um edifício público de Oklahoma. Assistiu, enquanto os bombeiros carregavam corpos inertes e ensangüentados de bebês que eram retirados das ruínas da creche que funcionava no primeiro andar. Diz que, no passado, era capaz de se distanciar do sofrimento alheio. Mas, desde que se tornara pai, isso havia mudado. Sentia como se cada uma daquelas crianças fosse seu filho. Sentia a dor de todos os pais como sendo sua.

Essa identificação com o sofrimento dos outros, a incapacidade de continuar a observá-lo de longe, é a descoberta de nossa ternura, a descoberta do bodhichitta. Essa é uma palavra sânscrita que significa "coração nobre ou desperto". Diz-se que está presente em todos os seres. Assim como a manteiga é parte do leite e o óleo, da semente de gergelim, essa ternura é inerente a mim e a você.

Stephen Levine escreve sobre uma mulher que estava morrendo, em terrível sofrimento e extrema amargura. No momento em que sentiu que não podia mais suportar a dor e o ressentimento, inesperadamente, passou a experimentar o pesar de outros em agonia: uma mãe faminta na Etiópia, um adolescente desvairado morrendo de overdose em um apartamento imundo, um homem esmagado por um deslizamento de terra, morrendo sozinho à margem de um rio. Ela relatou ter compreendido que essa não era a sua dor, mas a de todos os seres. Não era apenas a sua própria vida, mas a vida em si mesma.

Despertamos o bodhichitta, essa ternura pela vida quando não podemos mais nos proteger da vulnerabilidade de nossa condição, da fragilidade fundamental da existência. Nas palavras do décimo sexto Gyalwa Karmapa: "Recebemos tudo. Deixamos que a dor do mundo toque nosso coração e a transformamos em compaixão".

Diz-se que, em tempos difíceis, somente o bodhichitta pode curar. Quando não encontramos inspiração, quando nos sentimos prestes a desistir, esse é o momento em que a cura pode ser encontrada na ternura da própria dor. Esse é o momento de tocar o autêntico coração do bodhichitta. No meio da solidão, do medo, do sentir-se incompreendido e rejeitado, encontra-se a pulsação de todas as coisas, o autêntico coração de tristeza.

Uma pedra preciosa fica enterrada durante um milhão de anos e não perde a cor nem é danificada. Do mesmo modo, por mais que possamos espernear, nada afetará este coração nobre. Essa jóia pode ser trazida para a luz a qualquer tempo e resplandecerá com todo seu brilho, com se nada tivesse acontecido. Não importa quanto estejamos comprometidos com a rudeza, o egoísmo ou a ganância, o autêntico coração do bodhichitta não pode ser perdido. Está bem aqui, em tudo que tem vida, intacto e completamente íntegro.

Quando nos protegemos do sofrimento, achamos que estamos sendo bondosos conosco mesmo. A verdade é que apenas nos tornamos mais amedrontados, endurecidos e alienados. Percebemos a nós mesmos como separados do todo. Essa separação transforma-se em uma espécie de prisão- uma prisão que nos encerra em nossas próprias esperanças e medos, que nos leva a nos importarmos apenas com aqueles que estão mais próximos. O curioso é que, antes de mais nada, estamos tentando nos proteger do desconforto e, com isso, sofremos. Já quando não nos fechamos e permitimos que a dor toque nosso coração, descobrimos nossa afinidade com todos os seres. Sua Santidade, o Dalai Lama, descreve dois tipos de pessoas egoístas: as sábias e as tolas. As tolas pensam apenas em si mesmas, o que resulta em confusão e dor. As sábias acreditam que estar ali, apoiando os outros, é a melhor coisas que podem fazer por si mesmas. Como resultado, sentem alegria.

Quando encontramos uma mulher com o filho no colo, pedindo esmolas na rua, quando vemos um homem surrar impiedosamente seu cão aterrorizado, quando nos deparamos com um adolescente espancado ou com o medo nos olhos de uma criança, damos as costas porque não podemos suportar? Isto é o que a maioria de nós provavelmente faz. Alguém precisa nos encorajar a não deixar de lado o que sentimos, a não nos sentirmos envergonhados pelo amor e pesar que surgem, a não temer a dor. Alguém tem de nos dizer que é possível despertar a ternura que existe em nós e que, ao fazer isso, mudaremos nossa vida.

A prática de tonglen - enviar e receber- tem o propósito de despertar o bodhichitta, de nos colocar em contato com esse coração nobre e autêntico. Essa prática consiste em receber em si mesmo a dor e espalhar alegria, invertendo radicalmente nosso tão bem estabelecido hábito de fazer o contrário.

Tonglen é uma prática que visa a criar espaço, a ventilar a atmosfera de nossa vida para que as pessoas possam respirar livremente e relaxar. Sempre que encontramos o sofrimento, sob qualquer forma, as instruções de tonglen nos dizem para inspirá-lo, com o desejo de que todos possam se libertar da dor. Sempre que encontramos a felicidade, sob qualquer forma, devemos expirá-la, dirigi-la para fora, com o desejo de que todos possam sentir alegria. Essa é uma prática que permite às pessoas sentirem-se menos oprimidas, menos limitadas. Ela nos mostra como amar incondicionalmente...

... Quando nos protegemos para não sentir dor, essa proteção transforma-se em uma espécie de armadura, uma couraça que aprisiona a suavidade de nosso coração. Fazemos tudo o que vem à mente para não nos sentirmos ameaçados. Tentamos prolongar a sensação de estar bem consigo mesmo. Quando vemos nas revistas fotografias coloridas de pessoas se divertindo na praia, muitos de nós sinceramente desejam que a vida pudesse ser assim tão boa.

Quando inspiramos a dor, de algum modo, ela penetra nossa couraça. Nossa proteção vai sendo suavizada. Aquela armadura pesada, enferrujada e rangente começa, enfim, a parecer menos monolítica. Com a inspiração, ela começa a ruir e percebemos que podemos respirar profundamente e relaxar. Bondade e ternura começam a emergir. Não precisamos mais ficar tensos, como se estivéssemos o tempo todo na cadeira do dentista.

Quando expiramos alívio e sensação de espaço, também estamos promovendo a desintegração da couraça. A expiração é uma metáfora para expressar a abertura total de nosso próprio ser. Quando sentimos que algo é precioso, em vez de nos apegarmos fortemente, podemos abrir as mãos e dividi-lo com os demais. Podemos dar tudo. Podemos compartilhar a riqueza desta insondável experiência humana.

Este trecho foi extraído do livro "Quando tudo se desfaz - orientação para tempos difíceis" de Pema Chödön- Editora Gryphus.

Extraído do livro "Orientação para tempos difíceis - quando tudo se desfaz" de Pema Chödrön.

Uma das melhores práticas para a vida cotidiana, quando não temos muito tempo para meditar, é perceber nossas próprias opiniões. Quando estamos praticando meditação sentada, faz parte da técnica estar consciente dos próprios pensamentos. Então, sem julgamentos, sem classificá-los como certos ou errados, simplesmente reconhecemos que estamos pensando. Esse é um exercício de não-agressão em relação a si mesmo e é também uma prática que traz à tona nossa inteligência — ver que estamos apenas pensando, sem acrescentar qualquer tipo de esperança ou medo, louvor ou culpa. No entanto, quando sentamos para meditar, nem sempre nos saímos tão bem. Perceber que estamos pensando, mesmo quando isso acontece apenas por um quarto de segundo durante uma hora inteira, freqüentemente vem acompanhado de culpa ou louvor. É bom ou mau. Seja corno for, outros aspectos estão envolvidos, além de simplesmente rotularmos esse processo como “pensando”.
Entretanto, após praticarmos meditação por algum tempo, nossa mente vai se aquietando, pelo simples fato de estarmos conosco mesmos, sem qualquer outra atividade além de estar atento à própria expiração e perceber os pensamentos. Como conseqüência, aprofundamos cada vez mais nossa percepção. Quer sintamos ou não esse processo, a verdade é que ele está ocorrendo. Na meditação, nós nos permitimos mais espaço, e começamos a ver o que surge com clareza e intensidade crescentes. Vemos que, o tempo todo, produzimos muitos pensamentos e também que surgem lacunas em toda essa tagarelice. Podemos ainda perceber nossas atitudes diante do que está acontecendo. Com isso, entramos em sintonia com nossos padrões habituais e vemos o que fazemos e quem somos no momento em que usamos idéias e opiniões para impedir nossa própria desintegração.
Quando não estamos meditando, também podemos começar a perceber nossas opiniões, da mesma forma que percebemos nossos pensamentos durante a meditação. Essa prática é extremamente útil, pois temos muitas convicções e uma tendência a achar que elas representam a verdade. No entanto, não é bem assim. Elas são apenas nossas opiniões. Nós as sustentamos com grande apoio emocional. Freqüentemente, exprimem julgamentos e críticas. Às vezes, refletem nossa apreciação ou elogio. De qualquer modo, temos muitas opiniões.
Opiniões são opiniões, nada mais, nada menos. Podermos começar a percebê-las e a rotulá-las como tal, assim como rotulamos nossos pensamentos. Por meio desse exercício simples, entramos em contato com a noção de ausência de ego. O ego nada mais é que o conjunto de nossas opiniões, mas nós o consideramos sólido e real — uma verdade absoluta. Ter ao menos alguns segundos de dúvida sobre a solidez e verdade absoluta de nossas próprias opiniões, ao menos começar a ver que elas existem, leva-nos a conhecer a possibilidade de ausência de ego. Não temos de nos livrar delas, nem nos criticarmos por tê-las. Podemos apenas observar o que dizemos a nós mesmos e perceber que grande parte disso só reflete nossa visão particular da realidade, que pode ou não ser compartilhada pelos demais.
É possível simplesmente deixar que nossas opiniões passem e voltar ao momento presente. Voltamos a olhar o rosto de quem está à nossa frente, a saborear nosso café, a escovar os dentes, ou ao que quer que estejamos fazendo. Quando, ao menos por um instante, conseguimos perceber nossas opiniões como opiniões, permitindo que elas se dissipem e voltando à qualidade imediata de nossa experiência, descobrimos que estamos em um mundo novinho em folha, que temos olhos e ouvidos novos.
Quando falo em perceber nossas opiniões, estou me referindo a um método simples para começar a prestar atenção no que pensamos e fazemos, e na grande quantidade de energia que acompanha esse processo. Então, é possível também começar a observar como tornamos as coisas sólidas e como é fácil iniciar uma guerra para que nosso ponto de vista prevaleça sobre o dos demais. Somos especialmente tentados a fazer isso quando estamos envolvidos em algum tipo de causa social.
Vamos utilizar o exemplo da camada de ozônio. Estamos certos, quando afirmamos que sua diminuição é um fato científico, não uma mera opinião. Entretanto, se tentarmos impedir essa destruição tornando sólidas nossas opiniões contra aqueles que consideramos culpados, nunca mudaremos nada. Negatividade gera negatividade. Em outras palavras, mesmo quando nossa causa é nobre ou tem um bom fundamento, nós não a estamos defendendo quando alimentamos sentimentos agressivos pelos opressores ou por aqueles que criam situações de perigo. Nunca mudaremos nada com a agressividade.
Poderíamos argumentar que a não-agressão também não traz muitas mudanças. Ela, entretanto, beneficia imensamente a Terra. A agressividade é a raiz da fome, da miséria e da crueldade no nível pessoal. Quando nos apegamos obstinadamente às nossas opiniões, por mais legítima que seja nossa causa, estamos simplesmente adicionando mais agressividade ao planeta e, com isso, aumentando a violência e o sofrimento. Cultivar a não-agressão é cultivar a paz. Para pôr um fim às guerras é preciso deixar de odiar o inimigo. Esse processo começa quando percebemos que nossas opiniões sobre nós mesmos e sobre os demais são apenas uma visão da realidade, sem transformá-las em um motivo para aumentar a negatividade do mundo.
A chave está em perceber a diferença entre uma opinião e a inteligência límpida. Inteligência é ver os pensamentos como tal, sem classificá-los como certos ou errados. No contexto da ação social, vemos quando governos, empresas e pessoas obviamente estão poluindo os rios ou prejudicando pessoas e animais. Podemos tirar fotos. Podemos documentar os fatos. Vemos que o sofrimento é real. Isso é possível porque temos inteligência e não nos deixamos levar por conceitos de bem e mal, esperança e medo.
Cabe a nós separar o que é opinião e o que é fato. Só assim poderemos enxergar com inteligência. Quanto mais pudermos ver com clareza, mais poderosos serão o nosso discurso e as nossas ações. Quanto menos eles estiverem obscurecidos pela opinião, melhor será nossa comunicação, não apenas com os que estão poluindo os rios, mas também com aqueles a quem cabe pressionar essas pessoas.
Como ensinou o Buda, é importante ver o sofrimento como sofrimento. Não estou falando em ignorar ou calar-se, mas quando não acreditamos tanto em nossas opiniões nem solidificamos o conceito de inimigo, estamos conquistando algo. Quando não nos deixamos levar por nossa indignação, vemos a causa do sofrimento com mais clareza e disso decorre o seu fim.
Esse processo exige enorme paciência. É importante lembrar que, quando estamos lá fora, lutando por reformas sem agressividade, estamos trazendo paz ao mundo, mesmo se não atingirmos nosso objetivo específico. Temos de dar o melhor de nós mesmos e, ao mesmo tempo, desistir de qualquer esperança de realização. Don Juan aconselhou Carlos Castañeda a agir como se suas atitudes fossem a única coisa importante do mundo, sabendo, o tempo todo, que elas não têm importância nenhuma. Isso nos leva a uma maior apreciação e menor desgaste, pois passamos a trabalhar com entusiasmo e carinho. Por outro lado, cada dia é um dia novo. Deixamos de estar tão excessivamente voltados para o futuro. Embora estejamos caminhando com uma direção e nosso objetivo seja diminuir o sofrimento, é preciso lembrar que manter nossa clareza mental, manter nossa mente e coração abertos faz parte dessa ajuda. Quando as circunstâncias nos fazem desejar fechar os olhos, tapar os ouvidos e transformar os outros em inimigos, uma causa social pode ser a prática mais avançada. Como continuar a falar e a agir sem agressividade representa um enorme desafio. Para isso, o passo inicial é perceber nossas próprias opiniões.
Não há ninguém no planeta, nem os que consideramos opressores nem os que vemos como oprimidos, que não possua o que é necessário para despertar. Todos nós precisamos de apoio e encorajamento para tomar consciência do que pensamos, falamos e fazemos. Observe suas opiniões. Se elas o tornam agressivo, perceba esse processo. Se elas o tornam não-agressivo, perceba isso também. Cultivando uma mente que não se apega ao certo e errado, encontraremos um novo modo de ser. Dessa atitude decorre a definitiva interrupção do sofrimento. E finalmente, nunca desista de si mesmo, pois só assim nunca desistirá dos outros. Dedicadamente, procure fazer o que é preciso para despertar sua inteligência límpida, mas faça isso aos poucos, dia após dia, momento após momento. Se vivermos assim, estaremos beneficiando nosso planeta.

agosto 23, 2011

Quando há fé e confiança (saddha), surge a energia. Quando há energia (vriya), surge a plena atenção. Quando a plena atenção (sati) é contínua, surge a concentração. Quando a concentração (samadhi) está estabelecida, a mente vê as coisas como elas são. Quando a mente vê as coisas como elas são (pañña), a fé (saddha) se fortalece. Buddharakkita Bhikkhu

julho 31, 2011

Abrigo dos sábios: Jean-Yves Leloup

Abrigo dos sábios: Jean-Yves Leloup

COMPARAÇÃO

Abrigo dos sábios: J. Krishnamurti
«Estamos constantemente a comparar-nos uns com os outros, com alguém que teve mais sorte, o que somos com aquilo que deveríamos ser. A comparação, de facto, mata. A comparação é degradante, ela perverte a nossa observação. E é no seio da comparação que somos criados.

Toda a nossa educação se baseia na comparação, assim como a nossa cultura. Portanto, existe uma constante luta para sermos uma coisa diferente daquilo que realmente somos.
A compreensão do que somos liberta a criatividade, mas a comparação alimenta a competitividade, a crueldade, a ambição e, pensamos nós, isso gera progresso. O progresso só nos levou até agora a guerras cruéis e à infelicidade como jamais o mundo conheceu. A verdadeira educação é educar as crianças sem comparação.»

J. Krishnamurti, em "Cartas a uma jovem amiga"




Powered by ScribeFire.

O RELACIONAMENTO AMOROSO

Abrigo dos sábios: J. Krishnamurti
"Sabemos pouco do amor, da sua extraordinária ternura e poder. Muito facilmente usamos a palavra «amor; o militar usa-a, o carniceiro usa-a, o homem rico usa-a, assim como o rapaz e a rapariga. Mas sabemos pouco do amor, da sua vastidão, da sua imortalidade, da sua profundidade. Amar é ter consciência da eternidade.

O relacionamento é uma coisa estranha; muito facilmente caímos na habituação a um relacionamento particular, onde as coisas são tomadas como garantidas, com a situação aceite, não se tolerando qualquer variação; não se considera nenhum movimento em direcção à incerteza, mesmo por um segundo. Tudo é de tal modo regulado, tornado «seguro», bem amarrado, qua não há qualquer hipótese de frescura, de um respirar revivificador. A isto, e a muito mais, se chama relacionamento. Se observarmos de muito perto, verificamos que o verdadeiro relacionamento é muito mais subtil, mais rápido que um relâmpago, mais vasto do que a Terra, pois ele é vida. A vida é conflito.
Queremos fazer do relacionamento uma coisa grosseira, rígida, manipulável. Deste modo, ele perde a sua fragância, a sua beleza. Isto surge porque não amamos, e o amor é certamente a maior das coisas, pois nele acontece o completo abandono de nós mesmos. (...)

É preciso grande inteligência para um homem e uma mulher se esquecerem de si mesmos, para poderem viver juntos, não se rendendo um ao outro ou não sendo dominados um pelo outro. O relacionamento é a coisa mais difícil da vida."

J. Krishnamurti, em "Cartas a uma jovem amiga"




Powered by ScribeFire.

DIGNIDADE

Abrigo dos sábios: J. Krishnamurti

«A dignidade é algo muito raro. Um cargo ou uma posição de respeito dá «dignidade». É como vestir um casaco. O casaco, aquilo que se veste, dá «dignidade». Um título ou uma posição dão «dignidade». Mas se aos homens forem retiradas essas coisas, muito poucos ficarão com aquela qualidade de dignidade que vem com a liberdade interior de se ser nada.

O homem anseia ser algo, e esse algo confere-lhe uma posição na sociedade, posição que esta respeita. O homem coloca-se geralmente dentro de categorias - ser-se astuto, rico, santo, médico; mas, se ele não se colocar dentro de uma categoria que a sociedade reconheça, é tido por uma pessoa esquisita.
A dignidade não pode ser possuída nem cultivada, e estarmos convencidos de que somos «respeitados» é estarmos centrados em nós mesmos, o que é algo insignificante, pequeno. Ser-se nada é estar-se livre dessa ideia. Ser - não dentro de um qualquer estado particular - é a verdadeira dignidade. Esta não pode ser afugentada, está sempre lá.»

J. Krishnamurti, em "Cartas a uma jovem amiga
Powered by ScribeFire.

Abrigo dos sábios: RAÍZES

Abrigo dos sábios: RAÍZES: "'Nós temos as nossas raízes na terra, temos e devemos ter, mas prendemo-nos às coisas ou rastejamos pelo chão; só alguns poucos se elevam pa..."

julho 30, 2011

A Doutrina Teosófica de HPB

A Doutrina Teosófica de uma Grande Iniciada | Manas-Taijasi
Helena Petrovna Blavatsky



«Teosofia, do grego Theosophia, significa Sabedoria Divina. É o substrato e a base de todas as religiões e filosofias do mundo, ministrada e perpetrada por raros Eleitos, desde que o Homem se converteu num ser pensador. Se a considerarmos do ponto de vista prático, deduziremos que Teosofia é pura Ética Divina».

«Rejeitamos a ideia de um Deus pessoal, ou extra cósmico e antropomórfico, que é apenas a sombra gigante do Homem – e nem mesmo do que há de melhor no Homem. O Deus da Teologia, afirmamos e provamos, resulta de um amontoado de contradições que facilmente nos conduzem à dedução de uma impossibilidade lógica».

«A nossa Deidade, nem está no paraíso, nem numa árvore, construção, ou montanha específicas; Ela está em todos os lugares, em todos os átomos do Cosmos visível e invisível; dentro, sobre e em torno de todo o átomo imperceptível e de toda a molécula divisível; pois Ela é o poder misterioso da evolução e da involução, a Potencialidade Criativa Omnipresente, Omnipotente e Omnisciente».

«ELE, o ABSOLUTO, não pensa; pela simples razão de que Ele é o próprio “pensamento absoluto”. Ele nem sequer existe, pela mesma razão, pois Ele é “existência absoluta” – a Seidade, não um Ser».




Powered by ScribeFire.

junho 18, 2011

Jiddu Krishnamurti, considerado pelo XIV Dalai Lama um dos maiores pensadores da nossa era, com mais de setenta livros publicados em quase trinta idiomas, estendeu uma ponte entre ciência e religião e criou fundações e escolas visando uma educação que enfatizasse a compreensão da mente e do coração. Os textos contidos em muitos dos seus livros foram extraídos de escritos, diálogos e palestras suas, nos quais, ao longo de quase setenta anos, ele defendeu a liberdade psicológica e a importância de se conhecer a verdade sobre nós mesmos.

LaoTsé - antigo filósofo chinês

"Para alcançar conhecimento, adicione coisas todo dia. Para alcançar sabedoria, elimine coisas todo dia."

junho 07, 2011

Somos aquilo que possuímos | J. Krishnamurti Online

Somos aquilo que possuímos |  J. Krishnamurti Online


Somos aquilo que possuímos. O homem que possui dinheiro é o dinheiro. O homem que se identifica com a propriedade é a propriedade, ou a casa ou o mobiliário. Analogamente com ideias ou com pessoas, e quando há possessividade, não há relação. Mas a maioria de nós possui porque nada mais temos se não possuirmos. Somos conchas vazias se não possuirmos, se não preenchermos a nossa vida com mobiliário, com música, com conhecimento, com isto ou com aquilo. E essa concha faz muito barulho, e a esse barulho chamamos de viver, e com isso ficamos satisfeitos. E quando há uma interrupção, um separar-se disso, então há sofrimento porque nessa altura subitamente você se descobre a si mesmo tal como realmente é – uma concha vazia, sem muito significado.
The Collected Works vol V, p 297

junho 04, 2011

RESISTÊNCIA - Célio José Bighetti

RESISTÊNCIA - Célio José Bighetti
Osho Zen Meditation Center
A resistência é um dos problemas mais básicos, e, a partir dele, todos os outros problemas são criados. Quando você resiste a algo, você fica em dificuldade.
Jesus disse: "Não resista ao mal." Mesmo ao mal não deveria haver resistência, porque a resistência é o único mal, o único pecado. Quando você resiste a algo, isso significa que você está se separando do todo; você está tentando se tornar uma ilha, separada, dividida. Você está condenando, julgando, dizendo que isso não está correto, que não deveria ser assim. Resistência significa que você tomou uma postura de julgamento.
Se você não resistir, não haverá separação entre você e a energia que está se movendo à volta. Subitamente você está com ela – tanto assim que você desaparece e somente a energia se move. Aprenda a cooperar com as coisas que estão acontecendo; não se coloque contra o todo. Aos poucos, você começa a sentir uma imensa energia nova, a qual surge ao caminhar em sintonia com o todo, porque na resistência você dissipa energia e na não-resistência você absorve energia.
Está é a atitude oriental sobre a vida: aceite e não resista, entregue-se e não lute.
Deixe que isto seja um insight: Não desperdice tempo em resistir
.
Célio José Bighetti – Psicoterapeuta Holístico e Instrutor de Meditação


maio 29, 2011

A Essência do Ensinamento de Krishnamurti

A Essência do Ensinamento de Krishnamurti

A essência do ensino de K. está contida na declaração feita por ele em 1929, quando disse:

"A Verdade é uma terra sem caminho". O homem não chegará a ela através de organização alguma, de qualquer crença, de nenhum dogma, de nenhum sacerdote ou mesmo um ritual, e nem através do conhecimento filosófico ou da técnica psicológica. Ele tem que descobri-la através do espelho das relações, por meio de compreensão do conteúdo da sua própria mente, mediante a observação, e não pela análise ou dissecação introspectiva. O homem tem construído imagens em si próprio, como muros de segurança - imagens religiosas, políticas, pessoais. Estas se manifestam como símbolos, idéias, crenças. O peso dessas imagens domina o pensamento do homem, as suas relações e a sua vida diária. Tais imagens são as causas de nossos problemas, pois elas dividem os homens. A sua percepção da vida é formada pelos conceitos já estabelecidos em sua mente. O conteúdo de sua consciência é a sua consciência total. Este conteúdo é comum a toda humanidade. A individualidade é o nome, a forma e a cultura superficial que o homem adquire da tradição e do ambiente. A singularidade do homem não se acha na sua estrutura superficial, porém na completa libertação do conteúdo de sua consciência, comum a toda humanidade. Desse modo ele não é um indivíduo.

A liberdade não é uma reação, nem tampouco uma escolha. É pretensão do homem pensar ser livre porque pode escolher. Liberdade é observação pura, sem direção, sem medo de castigo ou recompensa. A liberdade não tem motivo: ela não se acha no fim da evolução do homem e sim, no primeiro passo de sua existência. Mediante a observação começamos a descobrir a falta de liberdade. A liberdade reside na percepção, sem escolha, de nossa existência, da nossa atividade cotidiana.

O pensamento é tempo. Ele nasce da experiência e do conhecimento, coisas inseparáveis do tempo e do passado. O tempo é o inimigo psicológico do homem. Nossa ação baseia-se no conhecimento, portanto, no tempo, e desse modo, o homem é um eterno escravo do passado. O pensamento é sempre limitado e, por conseguinte, vivemos em constantes conflito e numa luta sem fim. Não existe evolução psicológica.

Quando o homem se tornar consciente dos movimentos dos seus próprios pensamentos ele verá a divisão entre o pensador e o pensamento, entre o observador e a coisa observada, entre aquele que experimenta e a coisa experimentada. Ele descobrirá que esta divisão é uma ilusão. Só então haverá observação pura, significando isso percepção sem qualquer sombra do passado ou do tempo. Este vislumbre atemporal produz uma profunda e radical mutação em nossa mente.

A negação total é a essência do positivo. Quando há negação de todas aquelas coisas que o pensamento produz psicologicamente, só então existe o amor, que é compaixão e inteligência.

Esta exposição foi originalmente escrita pelo próprio Krishnamurti, em 21 de outubro de 1980, para ser publicada no livro "Krishnamurti: Os Anos de Realização", de Mary Lutyens

 

Jiddu Krishnamurti sobre Criatividade 

O estado de criatividade a ausência do''eu''
 
A criatividade surge quando há um conhecimento constante dos caminhos da mente, e dos obstáculos que construiu para si mesmo.
 
A liberdade de criar vem com o auto-conhecimento, auto-conhecimento, mas não é um dom. Pode-se ser criativo sem ter nenhum talento especial. Criatividade é um estado de ser no qual os conflitos e sofrimentos do auto estão ausentes, um estado no qual a mente não está presa nas demandas e objetivos do desejo.
 
Medo, que é o resultado do nosso desejo de ser seguro, faz-nos conformes, imitar e submeter à dominação e, portanto, impede o viver criativo. Para viver criativamente é viver em liberdade, que é não ter medo, e não pode ser um estado de criatividade apenas quando a mente não está presa no desejo e na gratificação do desejo. É só por assistir nossos próprios corações e mentes com delicada atenção que podemos desvendar os caminhos ocultos do nosso desejo. O mais ponderado e carinhoso estamos, menos vontade domina a mente.
 
Enquanto a mente está apenas buscando um estado permanente em que ele não terá qualquer tipo de perturbação, é fechado e, portanto, nunca pode ser criativo. É só quando a mente está livre do desejo de tornar-se algo, para alcançar um resultado e, portanto, livre do medo, que pode ser totalmente silencioso, e só então há uma possibilidade de que a criatividade que é a realidade.
 
É só quando a mente não procura estímulos de qualquer forma, seja fora ou para dentro, que pode ser completamente tranquila, livre, e apenas na medida em que há liberdade de criação.
 
Para ser criativo não é apenas para produzir poemas, ou estátuas, ou crianças, é estar naquele estado em que a verdade pode vir a ser. A verdade vem no momento em que há uma cessação completa de pensamento, eo pensamento só cessa quando o ego está ausente, quando a mente deixou de criar, ou seja, quando já não é apanhado na sua própria perseguições. Quando a mente está absolutamente parado, sem ser forçado ou formados em quiescência, quando este for omisso, porque o auto está inativo, então não há criação.
 
Um músico que diz:''''Eu amo música, mas quem está vendo quantas pessoas existem com o título na platéia, quanto dinheiro ele vai fazer, ele não é criativo, ele não é um músico, ele está usando música para se tornar famoso, ter dinheiro. Então não pode haver criatividade, se há um motivo por trás disso. Veja isso para si mesmo.
 
Uma pessoa ambiciosa nunca é uma pessoa criativa e alegre, ele está sempre torturados. Mas um homem que sente o amor de qualquer coisa, o ser do nada, é muito criativo, essa pessoa é um revolucionário. Uma pessoa que é um comunista, um socialista, um congressista, ou um imperialista não pode ser revolucionário. O ser humano é ser criativo interior muito rico, e de que a riqueza, ele age e tem seu ser.
 
O estado criativo não demanda esforço, pelo contrário, quando há luta, não há um estado criativo. Quando o eu, o 'eu', está totalmente ausente, há uma possibilidade de que o estado criativo para vir a ser. E enquanto idéia predominante, deve haver luta, tem de haver conflito. Ou seja, a forma de acção de acordo com a idéia deve conflito. Então, se podemos entender porque idéia predomina em nossas mentes, então talvez seremos capazes de abordagem de ação diferente.
 
Quando há criatividade, quando temos esse sentimento criativo, não há luta, há ausência de luta, o que significa que o eu, o 'eu', com todos os seus preconceitos, seu condicionamento, não está lá. Nesse estado, quando o eu não é, não há criatividade, e que o sentimento criativo, que o estado criativo, tentamos expressar em ação - através da pintura, música ou o que você vai. Então a luta começa - o desejo de reconhecimento, e assim por diante.
 
Para descobrir o que é verdadeiro, a mente deve primeiro ser livre e ser livre é extraordinariamente trabalho duro, mais difícil do que todas as práticas de yoga. Tais práticas meramente condição a sua mente, e é só a mente livre que pode ser criativa. A mente condicionada pode ser inventivo, que pode pensar em novas idéias, novas frases, novos gadgets, que pode construir uma represa, o plano de uma nova sociedade, e tudo o resto, mas isso não é criatividade. A criatividade é algo muito mais simples do que a capacidade de adquirir uma técnica. É porque esta coisa extraordinária chamada criatividade não está em a maioria de nós que somos tão superficiais, vazios, insuficientes, e só a mente que é livre pode ser criativo.
 
A criatividade só é possível quando a mente não está ocupada com a máquina da memória. Eu acho que isso é muito claro, se você segui-lo, embora verbal, pode ser difícil. Se você observar sua própria mente em funcionamento, você vai ver que ele está continuamente a responder a partir do fundo da memória, e uma mente não pode conhecer o estado de liberdade, em que só há criatividade. Para mim, este é o problema supremo, porque é só no momento de ser livre que a mente é capaz de descobrir algo totalmente novo, não premeditado, não contaminado pelo passado.
 
Quando a mente está consciente de seu próprio movimento, a mente chega ao fim. Só então é que o estado criativo pode ser, é a única salvação, pois que o estado criativo é o amor. O amor não tem nada a ver com sentimento. Não tem nada a ver com a sensação. Não é um produto do pensamento, nem a mente pode fabricá-lo. Mente só pode criar imagens, imagens da sensação, da experiência, e as imagens não são amor.
 
Para um homem que está vivendo plenamente, completamente, para um homem que é verdadeiramente culto, as crenças são desnecessárias. Ele é criativo. Ele é verdadeiramente criativas, e que a criatividade não é o resultado de uma reação a uma crença. O homem verdadeiramente culto é inteligente. Nele não há separação entre seu pensamento ea sua emoção e, portanto, suas ações estão completas, harmonioso. A verdadeira cultura não é nacionalista nem é de qualquer grupo. Quando você compreender isso, haverá o verdadeiro espírito de fraternidade; você não vai mais pensar em termos de catolicismo ou o protestantismo, em termos do hinduísmo ou Teosofia. Mas você está tão consciente de seus bens e sua luta para a aquisição de novas distinções que lhe causar, e desta surgem os exploradores e os explorados.
 
Autoridade impede a compreensão de si mesmo, não é? Sob a proteção de uma autoridade, um guia, você pode ter temporariamente uma sensação de segurança, uma sensação de bem-estar, mas não é esse o entendimento do processo total de si mesmo. Autoridade em sua própria natureza impede a plena consciência de si mesmo e, portanto, acaba por destruir a liberdade, a liberdade só pode haver criatividade. Não pode haver criatividade somente através do autoconhecimento. A maioria de nós não somos criativos, somos máquinas repetitivas, discos de gramofone mera jogando mais e mais canções de novo algumas das experiências, algumas conclusões e memórias, quer os nossos próprios ou de outra. Essa repetição não é ser criativo -, mas é o que queremos. Porque queremos ser interiormente seguro, estamos constantemente à procura de métodos e meios para essa segurança, e assim criamos autoridade, o culto de outro, que destrói a compreensão, que a tranqüilidade da mente espontânea, na qual pode haver um estado de criatividade.
 
Para ser criativo não significa que temos de pintar quadros e escrever poemas e se tornar famoso. Isto não é criatividade - é simplesmente a capacidade de expressar uma idéia, que o público aplaude ou ignora. Capacidade e criatividade não devem ser confundidos. A capacidade não é a criatividade. Criatividade é um estado muito diferente de ser, não é? É um estado no qual o eu está ausente, em que a mente não é mais um foco de nossas experiências, nossas ambições, nossos objetivos e desejos. Criatividade não é um estado contínuo, é nova a cada momento, é um movimento no qual não existe o 'eu', o 'meu', em que o pensamento não é focado em qualquer experiência, ambição, realização, propósito e motivação. É só quando o eu não é que não há criatividade - que estado de espírito em que sozinho não pode ser a realidade, o criador de todas as coisas. Mas esse estado não pode ser concebido ou imaginado, não pode ser formulado ou copiado, ele não pode ser atingido através de qualquer sistema, através de qualquer filosofia, através de qualquer disciplina, pelo contrário, ela passa a existir apenas através da compreensão do processo total de si mesmo.
 
A criação não é da mente. A criação nunca é um produto da mente, um produto do pensamento.
 
Quando há consciência de vazio, sem escolha, sem condenação ou justificação, então, em que a compreensão do que está lá é ação, e esta ação é ser criativo. Você vai entender isso se você estiver consciente de si mesmo em ação. Observe a si mesmo como você está agindo, não só exteriormente, mas ver também o movimento de seu pensamento e sentimento. Quando você está consciente deste movimento você vai ver que o processo de pensamento, que também é sentimento e ação, é baseado em uma idéia de se tornar. A idéia de se tornar só surge quando há um sentimento de insegurança, e que a sensação de insegurança vem quando se tem consciência do vazio interior. Se você está ciente de que o processo de pensamento e sentimento, você vai ver que há uma batalha constante, um esforço para mudar, modificar, alterar o que é. Este é o esforço para se tornar, e tornar-se uma evasão direta do que é. Através do auto-conhecimento, através da conscientização constante, você vai achar que luta, batalha, o conflito de se tornar, leva à dor, ao sofrimento e ignorância. Só se você está ciente de insuficiência interior e viver com ela sem saída, aceitando-a totalmente, que você vai descobrir uma extraordinária tranquilidade, uma tranquilidade que não é posta em conjunto, composto, mas a tranquilidade que vem com o entendimento do que é . Só nesse estado de tranqüilidade há criativo.

fevereiro 24, 2011

NicDias Blogger: O Quinto Compromisso: Um guia prático para o Autodomínio

NicDias Blogger: O Quinto Compromisso: Um guia prático para o Autodomínio

O Quinto Compromisso: Um guia prático para o Autodomínio

O Quinto Compromisso é uma continuação do livro “Os Quatro Compromissos“, o primeiro campeão de vendas do autor, Don Miguel Ruiz. Mas, você não precisa ter lido Os Quatro Compromissos (eu recomendo muito!) para entender o Quinto… Na verdade, nesse último o autor retoma os compromissos do livro anterior e aprofunda cada um, apresentando por fim, o quinto compromisso. Para quem já leu “Os Quatro Compromissos” talvez a primeira parte do novo livro possa parecer repetitiva. Mas a segunda parte realmente merece ser conferida! Para quem não conhece o primeiro título, esse lançamento é igual e altamente recomendável!

Os Quatro Compromissos propostos por Don Miguel Ruiz nada mais são do que atitudes, que se praticadas, expandem a consciência e libertam desse sonho (pesadelo) pessoal, e consequentemente do “sonho do mundo”. São eles:

- Seja impecável com a sua palavra: fale com integridade. Diga somente o que quer dizer. Evite utilizar a palavra para falar contra si mesmo (coisas como “Sou burro (a) mesmo”, “Ninguém me entende”, “Nada dá certo para mim”, etc) ou para fazer fofoca dos outros (o que acontece ou deixa de acontecer aos outros não é problema seu, e sua vida não tem como ficar melhor ou mais feliz se você investe seu tempo e energia especulando ou comentando sobre a vida de terceiros…).

- Não leve nada para o lado pessoal: nada que os outros façam é por sua causa. O que os outros dizem e fazem é projeção de suas próprias realidades, do sonho deles. Quando você é imune à opinião e a ação dos outros, você não será vítima de sofrimentos desnecessários. E aqui o autor tem a grande sacada de não limitar o compromisso de não levar nada para o lado pessoal apenas às opiniões e ações negativas. Quando alguém te elogia ou te agrada você também não deve levar para o lado pessoal. Afinal, tudo é projeção. Tanto as coisas ruins que te dizem, como as boas.

- Não tire conclusões: encontre a coragem de fazer perguntas e de expressar o que você realmente quer. Comunique-se com os outros o mais claramente possível, de modo a evitar desentendimentos, tristeza e drama. Com somente esse compromisso, você pode transformar completamente a sua vida.

- Sempre faça o seu melhor: o seu melhor irá mudar de momento a momento; será diferente quando você está saudável e oposto quando estiver doente. Sob qualquer circunstância, simplesmente faça o seu melhor e você irá evitar o auto-julgamento, a culpa e o arrependimento.

Jiddu Krishnamurti - O Ser

O pensamento é tempo. Ele nasce da experiência e conhecimento, que são inseparáveis do tempo e do passado. O tempo é o inimigo psicológico do homem. Nossa ação é baseada no conhecimento e, portanto, o tempo, assim o homem é sempre um escravo do passado. O pensamento é sempre limitado e assim nós vivemos em constante conflito e luta. O importante é o ser e não o vir a ser; um não é o oposto do outro, havendo o oposto ou a oposição, cessa o ser. Ao findar o esforço para vir-a-ser, surge a plenitude do ser, que não é estático; não se trata de aceitação; o vir-a-ser depende do tempo e do espaço. O esforço deve cessar; disso nasce o ser que transcende os limites da moral e da virtude social, e abala os alicerces da sociedade. Esta maneira de ser é a própria vida, não mero padrão social. Lá, onde existe vida, não existe perfeição; a perfeição é uma idéia, uma palavra; o próprio ato de viver e existir transcende toda forma de pensamento e surge do aniquilamento da palavra, do modelo, do padrão.
(Jiddu Krishnamurti)

Krishnamurti A-Verdade-é-uma-terra-sem-caminho

Obras de Krishnamurti publicadas pela Cultrix:

KRISHNAMURTI (Jiddu Krishnamurti) nasceu no Sul da Índia em 1895 e foi educado na Inglaterra. Embora não tenha ligações com nenhuma organização filosófico-religiosa nem se apresente com títulos universitários, vem fazendo conferências para grupos de líderes intelectuais nas maiores cidades do mundo, há já várias dezenas de anos. Além dos volumes editados pela Cultrix, grande número de publicações, de palestras e conferências suas foram lançadas em português, com êxito igual ao obtido quando publicadas em espanhol, francês, alemão, holandês, finlandês e vários outros idiomas, além do original inglês.

Obras de Krishnamurti publicadas pela Cultrix:

O Começo do Aprendizado
Comentários Sobre o Viver
A Cultura e o Problema Humano
O Descobrimento do Amor
Diálogos Sobre a Vida
Diário de Krishnamurti
A Educação e o Significado da Vida
Fora da Violência
O Homem e seus Desejos em Conflito
O Homem Livre
A Importância da Transformação
liberte-se do Passado
A Mente sem Medo
O Mistério da Compreensão
A Mutação Interior
Uma Nova Maneira de Agir
Novos Roteiros em Educação
Palestras com Estudantes Americanos
O Passo Decisivo
Perguntas e Respostas
A Primeira e Ultima Liberdade
Que Estamos Buscando?
A Rede do Pensamento Reflexões Sobre a Vida
A Suprema Realização

Obras de Krishnamurti publicadas pela Instituição Cultural Krishnamurti:

A Essência da Maturidade
Onde Está a Bem-Aventurança
O Novo Ente Humano
A Questão do Impossível
A Outra Margem do Caminho
A Luz que não se Apaga
Como Viver Neste Mundo
A Libertação dos Condicionamentos
Encontro com o Eterno
O Despertar da Sensibilidade
O Vôo da Águia

Skoob NicDias

Pense Nisso - Jiddu Krishnamurti

A Mente Sem Medo - Jiddu Krishnamurti

A Beleza da Música Relaxante

Introdução à Filosofia Espírita - J. Herculano Pires

Barra de vídeo

Loading...