maio 29, 2011

A Essência do Ensinamento de Krishnamurti

A Essência do Ensinamento de Krishnamurti

A essência do ensino de K. está contida na declaração feita por ele em 1929, quando disse:

"A Verdade é uma terra sem caminho". O homem não chegará a ela através de organização alguma, de qualquer crença, de nenhum dogma, de nenhum sacerdote ou mesmo um ritual, e nem através do conhecimento filosófico ou da técnica psicológica. Ele tem que descobri-la através do espelho das relações, por meio de compreensão do conteúdo da sua própria mente, mediante a observação, e não pela análise ou dissecação introspectiva. O homem tem construído imagens em si próprio, como muros de segurança - imagens religiosas, políticas, pessoais. Estas se manifestam como símbolos, idéias, crenças. O peso dessas imagens domina o pensamento do homem, as suas relações e a sua vida diária. Tais imagens são as causas de nossos problemas, pois elas dividem os homens. A sua percepção da vida é formada pelos conceitos já estabelecidos em sua mente. O conteúdo de sua consciência é a sua consciência total. Este conteúdo é comum a toda humanidade. A individualidade é o nome, a forma e a cultura superficial que o homem adquire da tradição e do ambiente. A singularidade do homem não se acha na sua estrutura superficial, porém na completa libertação do conteúdo de sua consciência, comum a toda humanidade. Desse modo ele não é um indivíduo.

A liberdade não é uma reação, nem tampouco uma escolha. É pretensão do homem pensar ser livre porque pode escolher. Liberdade é observação pura, sem direção, sem medo de castigo ou recompensa. A liberdade não tem motivo: ela não se acha no fim da evolução do homem e sim, no primeiro passo de sua existência. Mediante a observação começamos a descobrir a falta de liberdade. A liberdade reside na percepção, sem escolha, de nossa existência, da nossa atividade cotidiana.

O pensamento é tempo. Ele nasce da experiência e do conhecimento, coisas inseparáveis do tempo e do passado. O tempo é o inimigo psicológico do homem. Nossa ação baseia-se no conhecimento, portanto, no tempo, e desse modo, o homem é um eterno escravo do passado. O pensamento é sempre limitado e, por conseguinte, vivemos em constantes conflito e numa luta sem fim. Não existe evolução psicológica.

Quando o homem se tornar consciente dos movimentos dos seus próprios pensamentos ele verá a divisão entre o pensador e o pensamento, entre o observador e a coisa observada, entre aquele que experimenta e a coisa experimentada. Ele descobrirá que esta divisão é uma ilusão. Só então haverá observação pura, significando isso percepção sem qualquer sombra do passado ou do tempo. Este vislumbre atemporal produz uma profunda e radical mutação em nossa mente.

A negação total é a essência do positivo. Quando há negação de todas aquelas coisas que o pensamento produz psicologicamente, só então existe o amor, que é compaixão e inteligência.

Esta exposição foi originalmente escrita pelo próprio Krishnamurti, em 21 de outubro de 1980, para ser publicada no livro "Krishnamurti: Os Anos de Realização", de Mary Lutyens

 

Jiddu Krishnamurti sobre Criatividade 

O estado de criatividade a ausência do''eu''
 
A criatividade surge quando há um conhecimento constante dos caminhos da mente, e dos obstáculos que construiu para si mesmo.
 
A liberdade de criar vem com o auto-conhecimento, auto-conhecimento, mas não é um dom. Pode-se ser criativo sem ter nenhum talento especial. Criatividade é um estado de ser no qual os conflitos e sofrimentos do auto estão ausentes, um estado no qual a mente não está presa nas demandas e objetivos do desejo.
 
Medo, que é o resultado do nosso desejo de ser seguro, faz-nos conformes, imitar e submeter à dominação e, portanto, impede o viver criativo. Para viver criativamente é viver em liberdade, que é não ter medo, e não pode ser um estado de criatividade apenas quando a mente não está presa no desejo e na gratificação do desejo. É só por assistir nossos próprios corações e mentes com delicada atenção que podemos desvendar os caminhos ocultos do nosso desejo. O mais ponderado e carinhoso estamos, menos vontade domina a mente.
 
Enquanto a mente está apenas buscando um estado permanente em que ele não terá qualquer tipo de perturbação, é fechado e, portanto, nunca pode ser criativo. É só quando a mente está livre do desejo de tornar-se algo, para alcançar um resultado e, portanto, livre do medo, que pode ser totalmente silencioso, e só então há uma possibilidade de que a criatividade que é a realidade.
 
É só quando a mente não procura estímulos de qualquer forma, seja fora ou para dentro, que pode ser completamente tranquila, livre, e apenas na medida em que há liberdade de criação.
 
Para ser criativo não é apenas para produzir poemas, ou estátuas, ou crianças, é estar naquele estado em que a verdade pode vir a ser. A verdade vem no momento em que há uma cessação completa de pensamento, eo pensamento só cessa quando o ego está ausente, quando a mente deixou de criar, ou seja, quando já não é apanhado na sua própria perseguições. Quando a mente está absolutamente parado, sem ser forçado ou formados em quiescência, quando este for omisso, porque o auto está inativo, então não há criação.
 
Um músico que diz:''''Eu amo música, mas quem está vendo quantas pessoas existem com o título na platéia, quanto dinheiro ele vai fazer, ele não é criativo, ele não é um músico, ele está usando música para se tornar famoso, ter dinheiro. Então não pode haver criatividade, se há um motivo por trás disso. Veja isso para si mesmo.
 
Uma pessoa ambiciosa nunca é uma pessoa criativa e alegre, ele está sempre torturados. Mas um homem que sente o amor de qualquer coisa, o ser do nada, é muito criativo, essa pessoa é um revolucionário. Uma pessoa que é um comunista, um socialista, um congressista, ou um imperialista não pode ser revolucionário. O ser humano é ser criativo interior muito rico, e de que a riqueza, ele age e tem seu ser.
 
O estado criativo não demanda esforço, pelo contrário, quando há luta, não há um estado criativo. Quando o eu, o 'eu', está totalmente ausente, há uma possibilidade de que o estado criativo para vir a ser. E enquanto idéia predominante, deve haver luta, tem de haver conflito. Ou seja, a forma de acção de acordo com a idéia deve conflito. Então, se podemos entender porque idéia predomina em nossas mentes, então talvez seremos capazes de abordagem de ação diferente.
 
Quando há criatividade, quando temos esse sentimento criativo, não há luta, há ausência de luta, o que significa que o eu, o 'eu', com todos os seus preconceitos, seu condicionamento, não está lá. Nesse estado, quando o eu não é, não há criatividade, e que o sentimento criativo, que o estado criativo, tentamos expressar em ação - através da pintura, música ou o que você vai. Então a luta começa - o desejo de reconhecimento, e assim por diante.
 
Para descobrir o que é verdadeiro, a mente deve primeiro ser livre e ser livre é extraordinariamente trabalho duro, mais difícil do que todas as práticas de yoga. Tais práticas meramente condição a sua mente, e é só a mente livre que pode ser criativa. A mente condicionada pode ser inventivo, que pode pensar em novas idéias, novas frases, novos gadgets, que pode construir uma represa, o plano de uma nova sociedade, e tudo o resto, mas isso não é criatividade. A criatividade é algo muito mais simples do que a capacidade de adquirir uma técnica. É porque esta coisa extraordinária chamada criatividade não está em a maioria de nós que somos tão superficiais, vazios, insuficientes, e só a mente que é livre pode ser criativo.
 
A criatividade só é possível quando a mente não está ocupada com a máquina da memória. Eu acho que isso é muito claro, se você segui-lo, embora verbal, pode ser difícil. Se você observar sua própria mente em funcionamento, você vai ver que ele está continuamente a responder a partir do fundo da memória, e uma mente não pode conhecer o estado de liberdade, em que só há criatividade. Para mim, este é o problema supremo, porque é só no momento de ser livre que a mente é capaz de descobrir algo totalmente novo, não premeditado, não contaminado pelo passado.
 
Quando a mente está consciente de seu próprio movimento, a mente chega ao fim. Só então é que o estado criativo pode ser, é a única salvação, pois que o estado criativo é o amor. O amor não tem nada a ver com sentimento. Não tem nada a ver com a sensação. Não é um produto do pensamento, nem a mente pode fabricá-lo. Mente só pode criar imagens, imagens da sensação, da experiência, e as imagens não são amor.
 
Para um homem que está vivendo plenamente, completamente, para um homem que é verdadeiramente culto, as crenças são desnecessárias. Ele é criativo. Ele é verdadeiramente criativas, e que a criatividade não é o resultado de uma reação a uma crença. O homem verdadeiramente culto é inteligente. Nele não há separação entre seu pensamento ea sua emoção e, portanto, suas ações estão completas, harmonioso. A verdadeira cultura não é nacionalista nem é de qualquer grupo. Quando você compreender isso, haverá o verdadeiro espírito de fraternidade; você não vai mais pensar em termos de catolicismo ou o protestantismo, em termos do hinduísmo ou Teosofia. Mas você está tão consciente de seus bens e sua luta para a aquisição de novas distinções que lhe causar, e desta surgem os exploradores e os explorados.
 
Autoridade impede a compreensão de si mesmo, não é? Sob a proteção de uma autoridade, um guia, você pode ter temporariamente uma sensação de segurança, uma sensação de bem-estar, mas não é esse o entendimento do processo total de si mesmo. Autoridade em sua própria natureza impede a plena consciência de si mesmo e, portanto, acaba por destruir a liberdade, a liberdade só pode haver criatividade. Não pode haver criatividade somente através do autoconhecimento. A maioria de nós não somos criativos, somos máquinas repetitivas, discos de gramofone mera jogando mais e mais canções de novo algumas das experiências, algumas conclusões e memórias, quer os nossos próprios ou de outra. Essa repetição não é ser criativo -, mas é o que queremos. Porque queremos ser interiormente seguro, estamos constantemente à procura de métodos e meios para essa segurança, e assim criamos autoridade, o culto de outro, que destrói a compreensão, que a tranqüilidade da mente espontânea, na qual pode haver um estado de criatividade.
 
Para ser criativo não significa que temos de pintar quadros e escrever poemas e se tornar famoso. Isto não é criatividade - é simplesmente a capacidade de expressar uma idéia, que o público aplaude ou ignora. Capacidade e criatividade não devem ser confundidos. A capacidade não é a criatividade. Criatividade é um estado muito diferente de ser, não é? É um estado no qual o eu está ausente, em que a mente não é mais um foco de nossas experiências, nossas ambições, nossos objetivos e desejos. Criatividade não é um estado contínuo, é nova a cada momento, é um movimento no qual não existe o 'eu', o 'meu', em que o pensamento não é focado em qualquer experiência, ambição, realização, propósito e motivação. É só quando o eu não é que não há criatividade - que estado de espírito em que sozinho não pode ser a realidade, o criador de todas as coisas. Mas esse estado não pode ser concebido ou imaginado, não pode ser formulado ou copiado, ele não pode ser atingido através de qualquer sistema, através de qualquer filosofia, através de qualquer disciplina, pelo contrário, ela passa a existir apenas através da compreensão do processo total de si mesmo.
 
A criação não é da mente. A criação nunca é um produto da mente, um produto do pensamento.
 
Quando há consciência de vazio, sem escolha, sem condenação ou justificação, então, em que a compreensão do que está lá é ação, e esta ação é ser criativo. Você vai entender isso se você estiver consciente de si mesmo em ação. Observe a si mesmo como você está agindo, não só exteriormente, mas ver também o movimento de seu pensamento e sentimento. Quando você está consciente deste movimento você vai ver que o processo de pensamento, que também é sentimento e ação, é baseado em uma idéia de se tornar. A idéia de se tornar só surge quando há um sentimento de insegurança, e que a sensação de insegurança vem quando se tem consciência do vazio interior. Se você está ciente de que o processo de pensamento e sentimento, você vai ver que há uma batalha constante, um esforço para mudar, modificar, alterar o que é. Este é o esforço para se tornar, e tornar-se uma evasão direta do que é. Através do auto-conhecimento, através da conscientização constante, você vai achar que luta, batalha, o conflito de se tornar, leva à dor, ao sofrimento e ignorância. Só se você está ciente de insuficiência interior e viver com ela sem saída, aceitando-a totalmente, que você vai descobrir uma extraordinária tranquilidade, uma tranquilidade que não é posta em conjunto, composto, mas a tranquilidade que vem com o entendimento do que é . Só nesse estado de tranqüilidade há criativo.

Jiddu Krishnamurti - O Ser

O pensamento é tempo. Ele nasce da experiência e conhecimento, que são inseparáveis do tempo e do passado. O tempo é o inimigo psicológico do homem. Nossa ação é baseada no conhecimento e, portanto, o tempo, assim o homem é sempre um escravo do passado. O pensamento é sempre limitado e assim nós vivemos em constante conflito e luta. O importante é o ser e não o vir a ser; um não é o oposto do outro, havendo o oposto ou a oposição, cessa o ser. Ao findar o esforço para vir-a-ser, surge a plenitude do ser, que não é estático; não se trata de aceitação; o vir-a-ser depende do tempo e do espaço. O esforço deve cessar; disso nasce o ser que transcende os limites da moral e da virtude social, e abala os alicerces da sociedade. Esta maneira de ser é a própria vida, não mero padrão social. Lá, onde existe vida, não existe perfeição; a perfeição é uma idéia, uma palavra; o próprio ato de viver e existir transcende toda forma de pensamento e surge do aniquilamento da palavra, do modelo, do padrão.
(Jiddu Krishnamurti)

Krishnamurti A-Verdade-é-uma-terra-sem-caminho

Obras de Krishnamurti publicadas pela Cultrix:

KRISHNAMURTI (Jiddu Krishnamurti) nasceu no Sul da Índia em 1895 e foi educado na Inglaterra. Embora não tenha ligações com nenhuma organização filosófico-religiosa nem se apresente com títulos universitários, vem fazendo conferências para grupos de líderes intelectuais nas maiores cidades do mundo, há já várias dezenas de anos. Além dos volumes editados pela Cultrix, grande número de publicações, de palestras e conferências suas foram lançadas em português, com êxito igual ao obtido quando publicadas em espanhol, francês, alemão, holandês, finlandês e vários outros idiomas, além do original inglês.

Obras de Krishnamurti publicadas pela Cultrix:

O Começo do Aprendizado
Comentários Sobre o Viver
A Cultura e o Problema Humano
O Descobrimento do Amor
Diálogos Sobre a Vida
Diário de Krishnamurti
A Educação e o Significado da Vida
Fora da Violência
O Homem e seus Desejos em Conflito
O Homem Livre
A Importância da Transformação
liberte-se do Passado
A Mente sem Medo
O Mistério da Compreensão
A Mutação Interior
Uma Nova Maneira de Agir
Novos Roteiros em Educação
Palestras com Estudantes Americanos
O Passo Decisivo
Perguntas e Respostas
A Primeira e Ultima Liberdade
Que Estamos Buscando?
A Rede do Pensamento Reflexões Sobre a Vida
A Suprema Realização

Obras de Krishnamurti publicadas pela Instituição Cultural Krishnamurti:

A Essência da Maturidade
Onde Está a Bem-Aventurança
O Novo Ente Humano
A Questão do Impossível
A Outra Margem do Caminho
A Luz que não se Apaga
Como Viver Neste Mundo
A Libertação dos Condicionamentos
Encontro com o Eterno
O Despertar da Sensibilidade
O Vôo da Águia

Skoob NicDias

Pense Nisso - Jiddu Krishnamurti

A Mente Sem Medo - Jiddu Krishnamurti

A Beleza da Música Relaxante

Introdução à Filosofia Espírita - J. Herculano Pires

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